Pondera, Pandora, como se isto fosse um diário
Pondera, Pandora, como se trabalhasse para rever-se, inteira, neste diário
Um ou dois aforismos
Não sei explicar o motivo, mas sempre ouvi com um misto de curiosidade e desconfiança as pessoas que gostam de dar opinão introduzida mais ou menos assim: "como diz o poeta" ou "e como disse o outro". Apesar disso, coleciono alguns aforismos, cujos autores eu prefiro indicar a deixar no ar.
Teixeira de Pascoaes, por exemplo, tinha uns fantásticos: "Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente"; "Só os olhos das árvores vêem a esperança que passa"; "Existir não é pensar; é ser lembrado"; "A indiferença que cerca o homem demonstra a sua qualidade de estrangeiro"; "Vivemos como num estado de transmigração para a nossa fotografia".
Ele viveu em Amarante! Pena que não se respire o mesmo ar nos dias de hoje...
O aforismo dele de que eu mais gosto, no entanto, entre os que saíram publicados pela Assírio & Alvim, traz o seguinte:
"A seara não pertence a quem a semeia, pertence ao bicho que a rouba e come".
Sendo homem da terra, do chão, dos cheiros da natureza, muito embora culto, eu só posso concordar. Para um espírito muito suave - a não ser quando sente-se desafiado -, esse tipo de sabedoria condensada é sem dúvida ensinamento.
Um ou dois aforismos
Não sei explicar o motivo, mas sempre ouvi com um misto de curiosidade e desconfiança as pessoas que gostam de dar opinão introduzida mais ou menos assim: "como diz o poeta" ou "e como disse o outro". Apesar disso, coleciono alguns aforismos, cujos autores eu prefiro indicar a deixar no ar.
Teixeira de Pascoaes, por exemplo, tinha uns fantásticos: "Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente"; "Só os olhos das árvores vêem a esperança que passa"; "Existir não é pensar; é ser lembrado"; "A indiferença que cerca o homem demonstra a sua qualidade de estrangeiro"; "Vivemos como num estado de transmigração para a nossa fotografia".
Ele viveu em Amarante! Pena que não se respire o mesmo ar nos dias de hoje...
O aforismo dele de que eu mais gosto, no entanto, entre os que saíram publicados pela Assírio & Alvim, traz o seguinte:
"A seara não pertence a quem a semeia, pertence ao bicho que a rouba e come".
Sendo homem da terra, do chão, dos cheiros da natureza, muito embora culto, eu só posso concordar. Para um espírito muito suave - a não ser quando sente-se desafiado -, esse tipo de sabedoria condensada é sem dúvida ensinamento.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Quando o combustível acaba
Quando o combustível acaba, é altura de reabastecer.
É simples assim.
Outros raciocínios, que assombram antes do começo, são bem-vindos em outra altura:
Onde estão os tanques cheios de combustível, que eu não os vejo?
Quais caminhos poderei percorrer, com o tanque novamente cheio, eu que já me senti tão incapaz de discernir?
É preciso respirar fundo e dizer que há uma providência mais urgente do que limpar a casa, do que comprar bananas, do que deitar à hora prevista.
"Liberdade! liberdade! abre as asas sobre nós"
Olha que eu já cantei esse samba...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Erro de casting e alegria
Veio de um lado. Veio do outro.
Ao longo da última semana de 2011, ouvi mais de uma vez a explicação que, aqui e agora, repasso.
Primeiro, foi uma amiga, muito amiga, que tem fé suficiente para ela e para mim.
Dizia que o autor de O Senhor dos Anéis, Tolkien, tem um filho e fez para ele e para a nora um discurso muito inspirado, por ocasião do casamento deles dois.
Resumidamente, o que ele pretendia era salientar que casamentos são perfeitos, na imperfeição do ser humano. E que mulheres e homens têm papéis, às vezes bem menos românticos do que supomos.
Segundo ele (ou o que alguns supõem ser o discurso dele), durante um casamento o que importa é construir. É aceitar o outro, com alegria, como se o outro fosse um náufrago que cabe apoiar. Porque nós não somos movidos por amores impossíveis, somos sobreviventes, estamos desejosos. Há de vingar em nós um bem executado projeto, um projeto de compromisso, de doação, de troca.
Para essa construção, o que conta é alegria.
Amor pronto, numa forma intocável, advém de outra fonte, é muito mais o divino em nossa vida do que os encontros que vamos tendo.
Era um programa da televisão aberta portuguesa, acerca de religião e de religiosidade, chamado "A Fé dos Homens". Não entendo bem a grade de programação da TV portuguesa. Tem dia de desenho animado, que aqui dizem "bonecos", tem dia em que, no horário dos bonecos, simplesmente começa outra coisa, sem aviso prévio... Enfim, esta é outra conversa que me interessa, mas que não vou misturar agora.
O convidado a que me refiro, o do programa religioso, dizia que muitas vezes ao vermos um casal, pensamos num erro de casting. Mas não se trata propriamente disso, de um erro. Se tivermos alegria para abastecer a casa, continuadamente, aquilo que parecia um equívoco torna-se a história pessoal de que fomos capazes, conscientes das nossas limitações e da alegria que devemos ter e oferecer.
De novo a alegria, de novo a sabedoria de não pretender saber mais do que é possível num dado momento e, assim, viver com aquela doce responsabilidade, a de dar um contorno bonito a um papel que pensamos não ter escolhido com acerto.
A mim atormentava a ideia de não estar no enredo certo. Tinha um sonho, angustiante, de que um dia saberia qual era o resultado final, antes de o resultado chegar. Como se visse um filme, o filme da minha vida. Eu assistia, corrigindo, tal qual realizadora/cineasta. E isso para não ter de lamentar (como se fosse obrigatório lamentar, acabar mal, acabar pior do que em outras versões da minha vida!), no final, as escolhas erradas...
Como diz o texto de Tolkien para o casamento do filho, mesmo que no fim pareça que não escolhemos o melhor parceiro possível, ainda assim teremos agido bem, se tivermos agido com alegria e atentos aos compromissos.
O outro não é parceiro ideal em qualquer altura da nossa vida e a vida não é filme que passa dentro de nós, ao apertarmos um botão. Viver ou sobreviver ultrapassa esses sonhos e exige de nós mais dedicação e mais bom humor do que parece.
Sendo esse o pedido, alegria e esforço continuado - e lembrando que há os imponderáveis - custa mesmo tanto ir em frente?!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Livrarias e cidades
António Pinto Ribeiro respondendo à pergunta
"Qual é a melhor maneira de entrar numa cidade? As livrarias que aparecem no fim?",
da jornalista Lucinda Canelas, feita para a revista Ípsilon, em 15.12.2011:
As livrarias são um grande indicador da massa crítica que existe numa cidade. Se há filosofia e ensaio, se os autores são actuais... Mas aquilo que eu gosto é de andar pelo meio das pessoas. Gosto de estar num café, no metro. Há uma chave importante, fulcral - ter amigos nessa cidade, eles são importantíssimos para a encontrar.
Na mesma entrevista, ele já havia dito que:
Há um filósofo alemão, pensador e historiador chamado Aby Warburg, que enlouqueceu, que usava um método fantástico para construir a sua biblioteca - dizia que cada livro chama um livro novo para seu vizinho. O que acontece é que a sua biblioteca era ilegível para a maior parte das pessoas. Mas a correlação [entre os livros] existia. O que acontece comigo é isto: há problemas que chamam outros problemas, artes que chamam artes, livros que pedem outros livros. Como não sou dogmático, tenho-me deixado ir por esse tipo de atracção dos livros vizinhos.
E, ainda:
Em Portugal temos um problema muito concreto de países periféricos: não há um público intermédio porque não há uma classe média curiosa, com uma cultura geral interessante. E isto interfere na programação e nos públicos que para ela estão disponíveis.
O panorama cultural de São Paulo, meu outro ponto de apoio para imaginar, eu não consigo resumir muito bem neste momento...
Livrarias não faltam, disso tenho a certeza, embora não saiba colocar as coisas em termos de proporção, isto é, embora não saiba dizer quantas livrarias há por habitante! E isso sem considerar as distâncias que um cidadão tem de percorrer, se mora na freguesia/bairro X ou Y para chegar a uma dessas livrarias! São Paulo tem muitos obstáculos.
Classe média não falta em São Paulo. Se ela anda mais interessante do que a portuguesa, não sei. Eu há tempos fiz parte dela, mas não me sentia exatamente feliz com isso... Aqui, sinto-me no entanto um autêntico peixe fora d’água. Sou definitivamente classe média, em termos de poder aquisitivo, mas nunca vi qualquer outro morador da cidade em que vivo a vibrar com a ideia da abertura de uma livraria entre nós. Isso soa um bocado estranho, podem ter a certeza.
Leitura de textos não vinga por aqui. Já tentei por iniciativa minha, já estive presente a prestigiar a iniciativa de outros... Só lembranças! Guardei uma foto. De uma amiga a acompanhar a leitura de um poema escrito por nossa antiga professora de Yoga. Estávamos na mesma confeitaria onde aconteceu o único encontro do grupo de leitura de Doris Lessing, ideia minha e de umas amigas (as donas da confeitaria).
Resta viajar um pouco, o que não me desagrada de jeito algum! Guimarães, Porto (onde acontecem umas intervenções de rua muito engraçadas, da parte de uma apaixonada por Clarice Lispector, por exemplo). Lisboa já está mais longe...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
"Feels like maybe things will be all right"
Vou a Guimarães de 15 em 15 dias.
Para quem nunca esteve em Portugal, ou para quem não pretende consultar um mapa, eu explico brevemente.
Guimarães é uma cidade do Norte do país. É antiga, dizem que lá nasceu o 1º Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1179. É bonita, não é grande nem pequena (tinha 160.000 habitantes, segundo cálculos feitos em 2008), tem escolas de ensino superior e algumas boas instituições ligadas à cultura.
Vi no site da Câmara Municipal de Guimarães que a temperatura desta segunda-feira, 19 de dezembro de 2011, rondou os 4 graus Celsius. Nessa época do ano, a temperatura costuma cair de repente, mas deve ter andado perto disso quando saí de lá, por volta das 19h30 de anteontem.
Minha volta para casa depois de duas reuniões de trabalho não teve ciência, mas teve o seu ritual.
Entrei no carro, que deixo em segurança num parque/bolsão de estacionamento público a 2 minutos da escola, e liguei o aparelho de som assim que dei a partida.
Tenho um pen drive para inserir no aparelho, com umas 60 músicas. Quando preparei minha coletânea, dei preferências às músicas que não tenho em cd, às que lembro por causa de meia dúzia de palavras e às mais dançantes. Mas nada muito claro, nada intencional.
Considero que as músicas tornam-se parte da rotina, à medida que eu as ouço. Ouço e sinto como elas se encaixam no contexto. Elas, desse modo, me ajudam a fazer a digestão dos acontecimentos. Por isso eu as escolho sem pensar muito e deixo as ideias assentarem.
Entrei no carro, que deixo em segurança num parque/bolsão de estacionamento público a 2 minutos da escola, e liguei o aparelho de som assim que dei a partida.
Tenho um pen drive para inserir no aparelho, com umas 60 músicas. Quando preparei minha coletânea, dei preferências às músicas que não tenho em cd, às que lembro por causa de meia dúzia de palavras e às mais dançantes. Mas nada muito claro, nada intencional.
Considero que as músicas tornam-se parte da rotina, à medida que eu as ouço. Ouço e sinto como elas se encaixam no contexto. Elas, desse modo, me ajudam a fazer a digestão dos acontecimentos. Por isso eu as escolho sem pensar muito e deixo as ideias assentarem.
Por exemplo. Para sair de casa a caminho do trabalho, me habituei a deixar que a lista de músicas corra da 1ª em diante, porque providencialmente ficou em 1º lugar uma batida que me anima. São só 45 minutos de autoestrada/estrada, no meu caso, mas a mudança de paisagem e de ares faz-se notar. Daí que eu goste de combustível para a travessia.
Pelo caminho, começo a sentir que o horizonte se alarga, concreta e metaforicamente. Amarante está num vale, com suas subidas e descidas, o caminho até Guimarães tem mais largueza; em Amarante estou dentro de casa, em Guimarães vou entrar em ação. A ação do dia a dia da casa é mais previsível. E eu já não sei se lido bem com a regularidade...
Pelo caminho, começo a sentir que o horizonte se alarga, concreta e metaforicamente. Amarante está num vale, com suas subidas e descidas, o caminho até Guimarães tem mais largueza; em Amarante estou dentro de casa, em Guimarães vou entrar em ação. A ação do dia a dia da casa é mais previsível. E eu já não sei se lido bem com a regularidade...
Enfim, começo o caminho entre Amarante e Guimarães com "Scenario", de um grupo norte-americano chamado A Tribe Called Quest:
Parece que foi há pouco tempo, mas eu tinha 17 quando escutei a música pela 1ª vez. Já vivi o dobro desse tempo e mais um pouco...
Eu assistia MTV depois de vir da escola. Naquele ano também fui apresentada a um VJ, o Paulo, amigo dum amigo, e ele não acreditou que eu ouvisse aquele tipo de música... enquanto estudava. Tínhamos falado no Jimi Hendrix, também, pois eu havia ganhado uma cassete de um outro amigo. E eu ouvia, sim, não sei por que, mas ouvia enquanto estudava Biologia.
Quando era noite, eu ouvia aquelas músicas todas (do Tribe Called Quest, do The De La Soul, do Jimi Hendrix), e me perguntava se era mesmo tão difícil ter um grupo, ter uma aspiração de grupo, ter um raio dum programa à noite em São Paulo. Eu inclusive já sabia que vivia numa cidade perigosa, mas era adolescente e não tinha assim tanto receio de assalto.
Porque não estudei numa escola em que eu tivesse um grupo que saía à noite, que viajava, que se permitia ouvir qualquer música ou comentário pouco intelectualizado, ou melhor, que não fosse sofisticado. Gosto de sofisticação e gosto de excentricidade, mas não é uma marca, não é um imperativo. Já percebi que a liberdade de gostar vale o que vale, o sofisticado vale o que vale, o popular vale o que vale etc. Tudo tem sua hora.
Eu não acompanhava um grupo. Geralmente, até os 18, ou estava em casa ou saía à noite com pessoas que não estudavam na mesma escola que eu. Fui a umas festas da escola, a uma ou outra viagem, ganhei cassetes com Gershwin, com Marisa Monte, com Gilberto Gil, com Jorge Benjor, com o Premê! Ótimas todas... de "Refazenda" a "Umbabarauma", passando pela "Marcha da Kombi".
Mas nunca convidei qualquer um daqueles colegas-autores-de-cassetes para ver o Paulinho da Viola comigo, para dançar Ce Ce Peniston comigo, para falar dos Carpenters... Aos concertos/shows do Paulinho eu ia muitas vezes. Ia quando ele se apresentava nos parques, nas praças, nas casas de espetáculo. Tenho até fotografia com ele! Fui desde os 14 anos... E nunca, nem uma palavra sobre ele eu disse aos meus colegas de escola.
Eu sambava. Isso os colegas de classe viam. Um deles, aquele dos aniversários com bolo de damasco que reviveram em outro post, batucava e para mim esse era um gesto perfeitamente encaixado, dentro do contexto... A paga para a minha simplicidade.
Pois na minha escola, se havia festa durante o horário escolar, um tocava "Summertime" ao piano e cantava em alemão! Era bonito, era lindo mesmo. Mas a cidade era São Paulo, nós éramos adolescentes. Seria tão difícil assim dançar, simplesmente? Onde é que nós andávamos com a cabeça?
Bom, por causa do Facebook tenho falado um pouco com alguns desses colegas, mas não temos unanimidade quanto ao perfil que nos trouxe até aqui!
Eu por cá encerro as lembranças com os Carpenters.
Tive discos de vinil da dupla e não deixei de gostar deles, tenho voltado de Guimarães a tentar cantar com a Karen.
Há músicas que me lembram tempos de algum isolamento e isso não chega a ser especial, é muito comum, aliás.
Estava eu a pensar na falta que um grupo de amigos faz, aos 18, já Karen Carpenter tinha falecido, aos 32, com anorexia e bulimia, mal compreendida pelo ex-marido.
Estou eu a lamentar a falta de pares em Amarante - como lamentava em São Paulo - e isso continua a ser vulgar. Há problemas mais graves, embora, por outro lado, existam características que nos acompanham por menos tempo.
No meu caso, acho que me vou acostumando a não dançar em público as músicas de que gosto. Será isso mesmo?
Vejo tantos ex-alunos no Facebook a postarem fotografias de saídas aparentemente divertidas e fico contente por eles. Preferia, no entanto, ver as tais fotografias, vibrar com elas, e ter mais do que o blog para compartilhar.
Os gestos importam, os passos importam, a expressão do rosto importa. Mas tenho uma ideia para a prática: espero a volta de uma amiga que, já sei, também gosta de dançar e de cantar, sem preconceitos, e vou propor que a gente experimente uns passos. Não sei por que, pensei em forró. Deve ser porque minha amiga já morou em Fortaleza. Deve ser Alceu Valença, que foi parar ao pen drive com duas músicas, "Coração bobo" e outra até mais conhecida, de que não sei o nome...
De volta aos Carpenters, a única música dos dois irmãos que eu coloquei no meu pen drive por enquanto foi "Only yesterday", pois sem dúvida eu acho que "Feels like maybe things will be all right":
Eu assistia MTV depois de vir da escola. Naquele ano também fui apresentada a um VJ, o Paulo, amigo dum amigo, e ele não acreditou que eu ouvisse aquele tipo de música... enquanto estudava. Tínhamos falado no Jimi Hendrix, também, pois eu havia ganhado uma cassete de um outro amigo. E eu ouvia, sim, não sei por que, mas ouvia enquanto estudava Biologia.
Quando era noite, eu ouvia aquelas músicas todas (do Tribe Called Quest, do The De La Soul, do Jimi Hendrix), e me perguntava se era mesmo tão difícil ter um grupo, ter uma aspiração de grupo, ter um raio dum programa à noite em São Paulo. Eu inclusive já sabia que vivia numa cidade perigosa, mas era adolescente e não tinha assim tanto receio de assalto.
Porque não estudei numa escola em que eu tivesse um grupo que saía à noite, que viajava, que se permitia ouvir qualquer música ou comentário pouco intelectualizado, ou melhor, que não fosse sofisticado. Gosto de sofisticação e gosto de excentricidade, mas não é uma marca, não é um imperativo. Já percebi que a liberdade de gostar vale o que vale, o sofisticado vale o que vale, o popular vale o que vale etc. Tudo tem sua hora.
Eu não acompanhava um grupo. Geralmente, até os 18, ou estava em casa ou saía à noite com pessoas que não estudavam na mesma escola que eu. Fui a umas festas da escola, a uma ou outra viagem, ganhei cassetes com Gershwin, com Marisa Monte, com Gilberto Gil, com Jorge Benjor, com o Premê! Ótimas todas... de "Refazenda" a "Umbabarauma", passando pela "Marcha da Kombi".
Mas nunca convidei qualquer um daqueles colegas-autores-de-cassetes para ver o Paulinho da Viola comigo, para dançar Ce Ce Peniston comigo, para falar dos Carpenters... Aos concertos/shows do Paulinho eu ia muitas vezes. Ia quando ele se apresentava nos parques, nas praças, nas casas de espetáculo. Tenho até fotografia com ele! Fui desde os 14 anos... E nunca, nem uma palavra sobre ele eu disse aos meus colegas de escola.
Eu sambava. Isso os colegas de classe viam. Um deles, aquele dos aniversários com bolo de damasco que reviveram em outro post, batucava e para mim esse era um gesto perfeitamente encaixado, dentro do contexto... A paga para a minha simplicidade.
Pois na minha escola, se havia festa durante o horário escolar, um tocava "Summertime" ao piano e cantava em alemão! Era bonito, era lindo mesmo. Mas a cidade era São Paulo, nós éramos adolescentes. Seria tão difícil assim dançar, simplesmente? Onde é que nós andávamos com a cabeça?
Bom, por causa do Facebook tenho falado um pouco com alguns desses colegas, mas não temos unanimidade quanto ao perfil que nos trouxe até aqui!
Eu por cá encerro as lembranças com os Carpenters.
Tive discos de vinil da dupla e não deixei de gostar deles, tenho voltado de Guimarães a tentar cantar com a Karen.
Há músicas que me lembram tempos de algum isolamento e isso não chega a ser especial, é muito comum, aliás.
Estava eu a pensar na falta que um grupo de amigos faz, aos 18, já Karen Carpenter tinha falecido, aos 32, com anorexia e bulimia, mal compreendida pelo ex-marido.
Estou eu a lamentar a falta de pares em Amarante - como lamentava em São Paulo - e isso continua a ser vulgar. Há problemas mais graves, embora, por outro lado, existam características que nos acompanham por menos tempo.
No meu caso, acho que me vou acostumando a não dançar em público as músicas de que gosto. Será isso mesmo?
Vejo tantos ex-alunos no Facebook a postarem fotografias de saídas aparentemente divertidas e fico contente por eles. Preferia, no entanto, ver as tais fotografias, vibrar com elas, e ter mais do que o blog para compartilhar.
Os gestos importam, os passos importam, a expressão do rosto importa. Mas tenho uma ideia para a prática: espero a volta de uma amiga que, já sei, também gosta de dançar e de cantar, sem preconceitos, e vou propor que a gente experimente uns passos. Não sei por que, pensei em forró. Deve ser porque minha amiga já morou em Fortaleza. Deve ser Alceu Valença, que foi parar ao pen drive com duas músicas, "Coração bobo" e outra até mais conhecida, de que não sei o nome...
De volta aos Carpenters, a única música dos dois irmãos que eu coloquei no meu pen drive por enquanto foi "Only yesterday", pois sem dúvida eu acho que "Feels like maybe things will be all right":
After long enough of being alone
Everyone must face their share of loneliness
In my own time nobody knew
The pain I was goin' through
And waitin' was all my heart could do
Hope was all I had until you came
Maybe you can't see how much you mean to me
You were the dawn breaking the night
The promise of morning light
Feeling the world surrounding me
When I hold you
(*) Baby, Baby
Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love's made me
Free as a song singin' forever
(**) Only yesterday when I was sad
And I was lonely
You showed me the way to leave
The past and all its tears behind me
Tomorrow may be even brighter than today
Since I threw my sadness away
Only Yesterday
I have found my home here in your arms
Nowhere else on earth I'd really rather be
Life waits for us
Share it with me
The best is about to be
So much is left for us to see
When I hold you
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Cassius Clay 3
Antes do jogo de despedida de Pelé, promovido pelo Cosmos
Numa atitude brincalhona
No Zaire, em 1974, com fãs que ele ia à rua conhecer
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