Pondera, Pandora, como se isto fosse um diário

Pondera, Pandora, como se trabalhasse para rever-se, inteira, neste diário

Um ou dois aforismos
Não sei explicar o motivo, mas sempre ouvi com um misto de curiosidade e desconfiança as pessoas que gostam de dar opinão introduzida mais ou menos assim: "como diz o poeta" ou "e como disse o outro". Apesar disso, coleciono alguns aforismos, cujos autores eu prefiro indicar a deixar no ar.

Teixeira de Pascoaes, por exemplo, tinha uns fantásticos: "Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente"; "Só os olhos das árvores vêem a esperança que passa"; "Existir não é pensar; é ser lembrado"; "A indiferença que cerca o homem demonstra a sua qualidade de estrangeiro"; "Vivemos como num estado de transmigração para a nossa fotografia".

Ele viveu em Amarante! Pena que não se respire o mesmo ar nos dias de hoje...

O aforismo dele de que eu mais gosto, no entanto, entre os que saíram publicados pela Assírio & Alvim, traz o seguinte:

"A seara não pertence a quem a semeia, pertence ao bicho que a rouba e come".

Sendo homem da terra, do chão, dos cheiros da natureza, muito embora culto, eu só posso concordar. Para um espírito muito suave - a não ser quando sente-se desafiado -, esse tipo de sabedoria condensada é sem dúvida ensinamento.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011



Bolo de damasco.


Era isso mesmo que ofereciam na festa do meu amigo, a cada mês de Dezembro, para cantarmos os "Parabéns".


Havia outros doces e outros salgados, ok. Também fiquei com a lembrança dos queijos e dos brigadeiros. Só que fixei mais o bolo, que deixava um gosto diferente no fim da mordida. Doce o suficiente. Aquilo que não excede nem falta.


Sobretudo, para além do que se servia, havia um clima de ritual. Ao mesmo tempo tinha que ver com o estar a comemorar mais um ano vivido e o estar simplesmente a reunir pessoas em torno da mesa, serenamente.


Foi assim que não perdemos o contato, passada a época da escola; um recém-saído de um casamento e outro, prestes a começar num emprego empolgante, encontravam-se e punham a conversa em dia.


Como em muitos outros lugares, houve vezes em que estive como quem espreita, sem entrar. Queria bem àquele pessoal todo, sem dúvida, mas nunca os abracei, por exemplo. Hoje sinto alguma pena por isso. Fui vizinha do dono da festa por 4 anos, fui paquera de um, confidente de outro e... fui tímida demais, bolas!


Ontem, ao conversar com alguém do grupo, quieto igualmente, porém menos emocional do que eu, bateu uma saudade boa boa boa. Se eu soubesse fazer bolo de damasco, cozinhava um com todo o carinho!

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