Pondera, Pandora, como se isto fosse um diário
Pondera, Pandora, como se trabalhasse para rever-se, inteira, neste diário
Um ou dois aforismos
Não sei explicar o motivo, mas sempre ouvi com um misto de curiosidade e desconfiança as pessoas que gostam de dar opinão introduzida mais ou menos assim: "como diz o poeta" ou "e como disse o outro". Apesar disso, coleciono alguns aforismos, cujos autores eu prefiro indicar a deixar no ar.
Teixeira de Pascoaes, por exemplo, tinha uns fantásticos: "Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente"; "Só os olhos das árvores vêem a esperança que passa"; "Existir não é pensar; é ser lembrado"; "A indiferença que cerca o homem demonstra a sua qualidade de estrangeiro"; "Vivemos como num estado de transmigração para a nossa fotografia".
Ele viveu em Amarante! Pena que não se respire o mesmo ar nos dias de hoje...
O aforismo dele de que eu mais gosto, no entanto, entre os que saíram publicados pela Assírio & Alvim, traz o seguinte:
"A seara não pertence a quem a semeia, pertence ao bicho que a rouba e come".
Sendo homem da terra, do chão, dos cheiros da natureza, muito embora culto, eu só posso concordar. Para um espírito muito suave - a não ser quando sente-se desafiado -, esse tipo de sabedoria condensada é sem dúvida ensinamento.
Um ou dois aforismos
Não sei explicar o motivo, mas sempre ouvi com um misto de curiosidade e desconfiança as pessoas que gostam de dar opinão introduzida mais ou menos assim: "como diz o poeta" ou "e como disse o outro". Apesar disso, coleciono alguns aforismos, cujos autores eu prefiro indicar a deixar no ar.
Teixeira de Pascoaes, por exemplo, tinha uns fantásticos: "Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente"; "Só os olhos das árvores vêem a esperança que passa"; "Existir não é pensar; é ser lembrado"; "A indiferença que cerca o homem demonstra a sua qualidade de estrangeiro"; "Vivemos como num estado de transmigração para a nossa fotografia".
Ele viveu em Amarante! Pena que não se respire o mesmo ar nos dias de hoje...
O aforismo dele de que eu mais gosto, no entanto, entre os que saíram publicados pela Assírio & Alvim, traz o seguinte:
"A seara não pertence a quem a semeia, pertence ao bicho que a rouba e come".
Sendo homem da terra, do chão, dos cheiros da natureza, muito embora culto, eu só posso concordar. Para um espírito muito suave - a não ser quando sente-se desafiado -, esse tipo de sabedoria condensada é sem dúvida ensinamento.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O que é amor, que se manifesta devagar, pelos fios de telefone e pelas bibliotecas
E pensar que houve um Padre, no séc. XVIII, em Espanha, que se dedicou a investigar o amor e a escrever sobre ele com tal propriedade que permitia discordar de filósofos antigos e começar sentenças por um singelo "Mi sentir es que estas voces nada significan".
Esse homem foi Benito Jerónimo Feijoo.
Estudei uma parte pequena do legado dele, quando estava atenta à história de Sor Juana Inés de la Cruz, religiosa do México.
Voltei a ouvir falar dele em Amarante, há cerca de 15 dias, quando a Profª que orientou o meu trabalho no Mestrado veio à biblioteca da cidade para mostrar uma visão peculiar do poeta Teixeira de Pascoaes.
No salão à esquerda de quem entra naquele espaço público, havia mais ou menos umas 30 pessoas, eu creio, e poucas me conheciam.
Uma delas, certa vez, chamou-me ingênua porque eu esperava ocupar um cargo público aqui, sem conhecer figura ilustre que me recomendasse.
Por isso e pela troca intelectual e afetiva que, graças a Deus, existe entre a Profª Maria Luísa Malato e eu, foi muito saboroso ouvir que parte do raciocínio que ela iria seguir para discursar sobre Teixeira de Pascoaes, na cidade de Teixeira de Pascoaes, tinha que ver com uma pergunta minha, feita há mais de um ano.
Faláramos a respeito do significado da palavra "energia" para o Pe. Benito Feijoo, já que ele a utilizara para criticar Sor Juana Inés de la Cruz.
Enfim, às vezes as coisas tardam, mas não falham!
44. Tres especies de amor distingo: Apetito puro, amor
intelectual puro, y amor patético. El apetito puro, que con alguna impropiedad
se llama amor, se termina a aquellos objetos, que deleitan los sentidos
externos, como al manjar regalado, al olor suave, a la música dulce, al jardín
ameno. Este amor se excita precisamente por la experiencia, que tiene el alma de
la sensación grata, que le causan estos objetos. La alma naturalmente apetece, y
se inclina al gozo de lo que la deleita: y así no es menester más requisito para
excitar en ella ese amor, que la experimental representación de la sensación
grata, que causa tal, o tal objeto.
45. El amor intelectual puro viene a ser el que los Teólogos
Morales llaman apreciativo, a distinción del tierno. Demosle aquél nombre,
porque es mero ejercicio del alma racional, independiente, y separado de toda
conmoción en el cuerpo, o parte sensitiva. Este se excita por la mera
representación de la bondad del objeto. El alma ama todo lo que se le representa
bueno, sin ser necesaria otra cosa más que el conocimiento de la bondad. Así
ama, aun separada del cuerpo: y el amor intelectual puro, de que hablamos,
realmente en cuanto al ejercicio, es semejante al que tiene el alma separada.
46. El amor patético es el propio de nuestro asunto. Este es
aquel afecto fervoroso, que hace sentir sus llamaradas en el corazón, que le
inquieta, le agita, le comprime, le dilata, le enfurece, le humilla, le congoja,
le alegra, le desmaya, le alienta, según los varios estados en que halla el
amante, respecto del amado: y según los varios objetos, que mira, ya es divino,
ya humano, ya celeste, ya terreno, [370] ya santo, ya perverso, ya torpe, ya
puro, ya ángel, ya demonio.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Pela paz - e mais uma canção que eu não compreendo
"- Vocês que são do rock, aprendam a amar o Brasil".
Ao dizer isso (talvez quase isso) - já faz 10 anos e eu li mas não ouvi essa frase ser proferida -, Carlinhos Brown tentava convencer pessoas que atiravam garrafas contra ele a pararem de o fazer. Estavam numa das edições do "Rock in Rio". Ele era o primeiro músico a se apresentar naquele dia e, em seguida, era a vez do Guns N' Roses, por quem os da algazarra aguardavam.
Vejam só que ele insistiu, minutos depois da primeira tentativa: "- Podem jogar o que quiser, eu sou da paz e nada me atinge".
Pois é. Conversar, no Brasil, pode dar um prazer imenso porque há gente muito curiosa. Só que também pode levar à exaustão, se o público for de adolescentes sem parada ou de gente que se comporta como se estivesse na adolescência.
Não invento teoria, quando faço esse tipo de afirmação; fui professora em São Paulo durante 8 anos consecutivos. Errei muito, porque perdia as estribeiras com meus alunos de menos de 18 anos. Por outro lado, fiz o que julgava ser da minha competência; não me sentiria à vontade se imitasse as estratégias de um colega. Trabalhei ao lado de professores práticos e respeitados, não me esqueço deles, mas em geral a minha ação a portas fechadas acontecia no intervalo entre um imprevisto e o merecido descanso, por isso imitar seria o mesmo que ir além da minha margem de segurança para aprender.
Por isso, Carlinhos Brown pode ter sido alvo de muitas piadas, depois do episódio que eu fui buscar, mas foi autêntico. Disse pacificamente o que pôde. Ele também é autêntico ao compor, não tenho dúvidas. Lembro de uma entrevista que deu ao Jô Soares. À época eu não achei muita graça à observação que ele fez; disse que ainda faria um curso de ponto e vírgula... Claro que ele estava a assumir o fato de ter pouco conhecimento formal de língua portuguesa. Hoje vejo outro lado da resposta com que ele se saiu. É uma forma pitoresca, castiça de confirmar a existência de uma lacuna que o público do Jô não costuma perdoar.
Vou contrariar, por fim, uma ideia que tenho ouvido mais vezes do que é suposto.
Essa mesma pessoa que manteve a calma e que falou em nome do Brasil, em nome do amor, tem fãs na Europa, fez concertos em países africanos, concorre ao Grammy Latino e nesse sentido representa o seu país. Representa muito mais do que quem bate no peito para dizer que defendia o artista brasileiro dos ataques (quem os viu?) de um artista gringo. Pensei no Roger, sim, do Ultraje a Rigor, sobre quem falei no post anterior a este. Se um corre o risco de parecer piegas, o outro corre o risco de parecer vazio. Mais consistente construir uma imagem com calma, falar em calma, agir com calma.
PS - é desta mesma paz que fala O Rappa?
Minha Alma
Por isso, Carlinhos Brown pode ter sido alvo de muitas piadas, depois do episódio que eu fui buscar, mas foi autêntico. Disse pacificamente o que pôde. Ele também é autêntico ao compor, não tenho dúvidas. Lembro de uma entrevista que deu ao Jô Soares. À época eu não achei muita graça à observação que ele fez; disse que ainda faria um curso de ponto e vírgula... Claro que ele estava a assumir o fato de ter pouco conhecimento formal de língua portuguesa. Hoje vejo outro lado da resposta com que ele se saiu. É uma forma pitoresca, castiça de confirmar a existência de uma lacuna que o público do Jô não costuma perdoar.
Vou contrariar, por fim, uma ideia que tenho ouvido mais vezes do que é suposto.
Essa mesma pessoa que manteve a calma e que falou em nome do Brasil, em nome do amor, tem fãs na Europa, fez concertos em países africanos, concorre ao Grammy Latino e nesse sentido representa o seu país. Representa muito mais do que quem bate no peito para dizer que defendia o artista brasileiro dos ataques (quem os viu?) de um artista gringo. Pensei no Roger, sim, do Ultraje a Rigor, sobre quem falei no post anterior a este. Se um corre o risco de parecer piegas, o outro corre o risco de parecer vazio. Mais consistente construir uma imagem com calma, falar em calma, agir com calma.
PS - é desta mesma paz que fala O Rappa?
Minha Alma
a minha alma está
armada
e apontada para a cara
do sossego
pois paz sem voz
não é paz é medo
às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz
as grades do condomínio
são para trazer proteção
mas também trazem a dúvida
se não é você que está nessa prisão
me abrace e me dê um beijo
faça um filho comigo
mas não me deixe sentar
na poltrona no dia de domingo
procurando novas drogas de aluguel
do sossego
pois paz sem voz
não é paz é medo
às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz
as grades do condomínio
são para trazer proteção
mas também trazem a dúvida
se não é você que está nessa prisão
me abrace e me dê um beijo
faça um filho comigo
mas não me deixe sentar
na poltrona no dia de domingo
procurando novas drogas de aluguel
nesse vídeo
coagido
pela paz que eu não quero seguir admitindo
às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz
pela paz que eu não quero seguir admitindo
às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz
Calma
"Briga, chuva
e muita festa: Ultraje a Rigor rouba a cena no SWU
13/11/2011 18h50 • Guilherme Guedes
A briga aconteceu entre integrantes das equipes de Peter Gabriel e do Ultraje a Rigor, segundo Roger, vocalista da banda brasileira. Eles discutiram porque o show do Ultraje atrasou em razão da chuva.
"Muito
obrigado ao nosso amigo Chris
Cornell". A ironia de Roger Moreira, vocalista e guitarrista do Ultraje a Rigor, foi a faísca que
faltava para disparar uma briga entre roadies e membros da produção do grupo
paulista com integrantes da equipe do cantor Peter Gabriel. Ficou confuso? Pois é.
O público do SWU Music & Arts Festival também.
Tudo
começou com a chuva forte que cobriu Paulínia no meio da tarde, pouco antes da
apresentação do Ultraje no Palco Consciência. Os ventos e a água atrasaram a
montagem do palco, e o show do grupo precisou ser atrasado, antecipando a
performance da Tedeschi Trucks
Band, no Palco Energia.
A
produção de Peter Gabriel, que veio ao Brasil acompanhado de uma orquestra,
passou a pressionar o grupo brasileiro para encurtar o show e tentar compensar
o atraso, que a essa altura beirava as duas horas. Com informações confusas,
Roger expôs a confusão ao público, mas jogou a culpa em Cornell. A pancadaria
no palco (que você vê na galeria acima) atiçou a plateia, que tomou partido do
Ultraje a proporcionou um dos shows mais animados desta edição do festival.
Após
a baderna, os refrãos de faixas como É Tudo Filha da P**a e Nada a Declarar ganharam
outro significado, com palavrões berrados, todos direcionados injustamente ao
vocalista doSoundgarden.
Em determinado momento, Roger - ainda mais disposto a provocar "os
gringos", deixou a guitarra de lado para simular um demorado strip-tease,
seguido por mais uma provocação verbal: "Nós temos bastante tempo de
palco, mesmo".
Ao
fim de O Chiclete -
cujo refrão "bum-bum-bundão"
gerou coros de "Cornell, vai tomar no c*" - Roger não perdoou.
Traduziu a frase e a direcionou mais uma vez ao ex-vocalista do Audioslave: "Asshole! Big asshole! Big, huge, asshole!".
Sob
fortes aplausos, o quarteto encerrou a apresentação com o sucesso Nós Vamos Invadir Sua Praia.
Depois do coro "mais um, mais um" da plateia, Roger e o baterista
Bacalhau tentaram puxar Marilou, cortada no meio pela produção do evento.
Revoltado,
Bacalhau emendou em um solo catársico de bateria, que terminou com as peças do
instrumento espalhadas pelo palco, jogadas e chutadas pelo músico. O público
adorou, e a banda também. Toda a equipe do Ultraje aplaudiu o público após o
fim, em uma bonita - ainda que injusta - exaltação do rock nacional."
Nunca
estive num show/concerto do grupo de rock Ultraje a Rigor, criado
há cerca de 30 anos em São Paulo.
Gosto
de várias músicas deles, e me lembro agora de "Eu me amo" e de
"Terceiro", que tem uns versos engraçados:
Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saída
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí (O importante é competir!)
Daqui a pouco vai ser dada a saída
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí (O importante é competir!)
...
Se eu me esforço demais vou ficar cansado
Já dá pra enganar eu ficando suado
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador
É
meio cínica essa letra de música, quem sabe irônica, mas não passa de
troça. O nome do grupo, de resto, também tem esse espírito de brincadeira e de
ruptura com as convenções.
A
irreverência de "Terceiro" não se aproxima do nível de cinismo de
alguns filmes recentes de Woody Allen, por exemplo, isso para criar um ponto de comparação com um ícone, uma figura badalada que muitas vezes deu-nos mostras do seu humor e
da sua inteligência.
Estou
a pensar em "Match point", de 2005, que me fez sair da sala de cinema
atônita e desconfortável com a mudança de registro. O site do IMDB destaca a
fala de uma das personagens do filme:
- The man who said
'I'd rather be lucky than good' saw deeply into life" .
O
argumento dela faz supor que é ruim ser boa pessoa. Mais vale ter sorte e,
nessa levada, para estar com os amigos, mais vale ir ao cassino, ao bingo etc.
Pelo menos não se rompe o padrão, é sortudo com sortudo, sem hipótese para as
pessoas que aceitam a bondade sem aquele erguer de ombros, sem desdém.
Enfim,
falei no Ultraje, fiz uma digressão até Woody Allen e quero dizer o quê?
Quero
dizer que não imaginava o Roger, vocalista do grupo Ultraje a Rigor, a criar
confusão a partir de um mal entendido com gente que fala outro idioma e que foi
ao Brasil para participar num evento cultural. É assim mesmo, começa-se uma
briga - que poderia ter tomado outras proporções -, ficam na memória as
fotografias da tonteria (que eu não faço questão de publicar), as palavras confusas, o mal estar? Isso dá cá uns
sinais de respeito pelo público incríveis!
E
como se não bastasse a trapalhada, a falta de jeito, um jornalista do UOL
apresenta o incidente como um momento alto... ops!
Não
gosto muito da minha versão moralista, que já me rendeu inimizades. Não
acredito nisto de julgar com dureza e de criar um campo, como se fosse um campo
magnético, para me proteger da influência perniciosa de todas as pessoas más!
Lado negro cada um tem o seu, inclusive eu. Não quero sublinhar esse lado do
Roger.
Fato
é que lado bom cada um tem o seu, também. Até que se prove o contrário.
Mais valia saber que o Roger tocou descontraidamente e depois foi andar na chuva, ao invés de assistir à apresentação do artista que o sucedia no palco. Ele podia ou não podia simplesmente abdicar do espetáculo de quem o chateou? Era bem mais simples. E se alguém achava graça nisso, era ele. Continuávamos a lembrar dele como um cara gozador e pronto.
Mais valia saber que o Roger tocou descontraidamente e depois foi andar na chuva, ao invés de assistir à apresentação do artista que o sucedia no palco. Ele podia ou não podia simplesmente abdicar do espetáculo de quem o chateou? Era bem mais simples. E se alguém achava graça nisso, era ele. Continuávamos a lembrar dele como um cara gozador e pronto.
Reagir
provocando, inflamar-se à toa, misturar o atropelo casual com desrespeito pelos
artistas brasileiros e tal é investimento mal feito. Bobagem de quem perdeu a
compostura. Tem direito, ok, mas que seja em casa dele...
domingo, 13 de novembro de 2011
Medicina, comportamento e cinema têm espaço no espaço público
"Conversas à noite sobre Cinema e Saúde | Auditório
da Biblioteca Almeida Garrett
Enquadramento
“Num guião cinematográfico, os personagens e os
cenários desenvolvem-se numa cadência sistematizada de eventos. Sobre um
documento narrativo, ou argumento, sucedem-se os acontecimentos, cenas, diálogos
e é com estes símbolos e sinais do cinema que o espectador, com a sua visão,
interpreta, descodifica e organiza, no seu quadro vivencial, o que percepciona
num filme. Também a Saúde, na sua dimensão individual, colectiva e cultural, ao
reflectir os efeitos biológicos e psicoafectivos das Civilizações, está
omnipresente nos roteiros cinematográficos. É justamente sobre essa simbologia e
linguagem da Saúde, muitas vezes hermética e iniciática, que somos desafiados a
expressar as nossas sensibilidades e perspectivas.
Assim se cruzam os
universos virtuais do cinema com a esfera cognitiva da saúde e da doença,
permitindo-nos reflectir libertariamente, expressando visões e confrontando
argumentos, sobre os mitos, ídolos e símbolos que promovemos, e sobre os cultos,
vícios e modas com que desenhamos as nossas paisagens afectivas.
Nestas
tertúlias, de cumplicidades nocturnas e de arrojadas confabulações quase
clandestinas, exploram-se estas ligações de complementaridade inesperada: é um
processo que nos permite a todos, aprender a visionar e a argumentar, com
ecletismo, abrangência e humanidade”.
(Guilherme Macedo, Comissário e
Moderador do ciclo)
Conceito
A iniciativa será composta por um
conjunto de conversas, tendo como pano de fundo uma selecção de filmes de
qualidade. As personalidades convidadas, com diferentes sensibilidades, são
desafiadas a partilharem, com o público, as suas visões e argumentos sobre a
temática de cada filme.
Assim, procurar-se-á abordar um conjunto de aspectos
comportamentais e as suas implicações ao nível da saúde. Longe de procurar
promover qualquer discurso moralista, pretende-se sim, contribuir para uma
informação esclarecida a partir da fruição de curtos excertos de um bem cultural
de grande divulgação.
Modelo
O ciclo será composto por 3 sessões
a realizar às segundas-feiras, durante o mês de Novembro de 2011, na cidade de
Porto, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett.
As sessões, a realizar à
noite a partir das 21h30, terão uma duração aproximada de 2 horas. Será uma
conversa entrecortada pela projecção de excertos dos filmes seleccionados. O
painel de personalidades participantes será constituído pelo autor da ideia e
moderador do debate, Professor Doutor Guilherme Macedo, e por dois convidados.
Cada sessão abordará temas específicos, sugeridos pelas películas, a
desenvolver pelos participantes, mas procurar-se-á criar um fio condutor para o
ciclo.
Programa do ciclo
Local – Biblioteca Almeida Garrett,
Porto
14 de Novembro (21h30)
Intervenientes: Manuela Melo, Roma
Torres e Guilherme Macedo (moderador)
Filme: De Olhos Bem Fechados (1999)
(Eyes Wide Shut)
21 de Novembro (21h30)
Intervenientes: Álvaro
Costa, Carlos Tê e Guilherme Macedo (moderador)
Filme: Easy Rider (1969)
28 de Novembro (21h30)
Intervenientes: Carlos Magno, Fernando Gomes
e Guilherme Macedo (moderador)
Filme: Maradona by Kusturica (2008)
A
iniciativa é da responsabilidade do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de
São João em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A
produção do ciclo é realizada pela Ideias Maiores.
Manuela Melo
Licenciada em Biologia e Jornalista.
Roma Torres
Médico,
Director do Serviço de Psiquiatria do Hospital de São João e Crítico de Cinema.
Álvaro Costa
Profissional de comunicação desde 1985, é actualmente
comentador/apresentador da RTP Informação, e produtor de rádio na Antena 1 e
Antena 3 da RDP.
Carlos Tê
Licenciado em Filosofia, letrista de Rui
Veloso, Clã e Jafuméga, colaborações com Jorge Palma, e também cantor. Escreveu
um romance, três contos e três peças de teatro musicais.
Carlos Magno
Jornalista, Analista Politico e Professor do Ensino Superior.
Fernando Gomes
Licenciado em Economia, foi campeão de basquetebol no
FC Porto e presidente da Liga de Clubes de Basquetebol. Foi vice-presidente do
FC Porto e administrador da sua SAD, assume actualmente a presidência da Liga
Portuguesa de Futebol Profissional.
Guilherme Macedo
Médico,
Director de Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São João e Professor da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto."
É ou não é muito bom que alguém se lembre de criar e de promover um evento como esse?
Fiquei com vontade de ir, mas infelizmente nunca vi esses 3 filmes. Eu ouviria ao mesmo tempo opiniões e informações, conhecimento de segunda mão, como se costuma dizer.
Até a data de cada uma das conversas, no entanto, ainda tenho oportunidade de conhecer os filmes e, estando presente nas discussões, apanhar depressa o que disserem... ok.
Caso decida ir, faço questão de comentar no blog.
PS - um documentário sobre o Maradona? Deve ser daquelas situações que calham a nós por sermos muitas vezes do contra... Não admiro o jogador argentino! Mas gosto do que já vi de Kusturica. Assisti a dois filmes dele: "Promessas", de 2007, e "Tempo dos ciganos", de 1988. Difíceis de resumir e de comparar a outras produções.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





